sábado, 5 de dezembro de 2009

Não se corrigindo os erros, Portugal vai perder competitividade

No início de Novembro de 2009, o novo Governo apresentou o seu programa no Parlamento. Iremos analisar alguns pontos sobre transportes, assunto que se inicia na página 22 do referido documento.

Sobre o Portugal Logístico é dito "concluir a ambiciosa rede de plataformas logísticas concebida e lançada pelo XVII Governo Constitucional; ii) promover a localização das actividades produtivas junto das infra-estruturas do Portugal Logístico, como forma de valorização, e ordenamento do território; iii) criar a Janela Única Logística, na lógica de modernização e simplificação de procedimentos da Janela Única Portuária, derrubando as barreiras existentes entre os portos e os seus stakeholders".

No sector aeroportuário, o Governo pretende avançar com a construção do novo aeroporto de Lisboa, além de melhorar as infra-estruturas existentes.

Relativamente à ferrovia pretende-se "Afirmar o transporte ferroviário como o transporte terrestre de excelência, mais rápido, mais cómodo e mais seguro, aumentando a sua quota de mercado em 20% para o segmento das mercadorias e em 10% para os passageiros". Mais adiante é dito "Concretizar a Rede Ferroviária de Alta Velocidade, ligando Portugal à Europa e dando coesão ao eixo económico Corunha–Setúbal, concretizando as linhas Porto-Vigo e Lisboa-Madrid até 2013 e a linha Lisboa-Porto até 2015.
No sector rodoviário “Prosseguir a concretização do Plano Rodoviário Nacional e concluir a rede de auto-estradas, nomeadamente das ligações a Bragança, entre Coimbra e Viseu e entre Sines e Beja;"


PRIORIDADES A DEFINIR


A fonte de energia com maior peso nas importações nacionais é o petróleo e o sector de actividade com maior consumo é o dos transportes, devido ao modo rodoviário.
A maior prioridade do investimento das obras públicas deveria ser dirigida para a futura rede ferroviária de bitola (distância entre carris) europeia de passageiros e mercadorias, para permitir o transporte de contentores de e para a U.E. e para o modo marítimo, porque são os que consomem menor energia.

Infelizmente, o Governo pretende investir milhares de milhões de euros, em mais auto-estradas e num novo aeroporto de Lisboa, estando o actual muito longe da saturação e, mais grave, quando a TAP está numa situação económica muito débil devido aos elevados prejuízos do ano de 2008.

Evidentemente que a prioridade, nos próximos tempos, passa por reestruturar a TAP, de modo a que esta empresa possa competir no mercado internacional. Caso contrário, Portugal arrisca-se a gastar milhares de milhões de euros numa nova infra-estrutura aeroportuária, que depois não teria utilização por parte da companhia aérea nacional de aviação.

Dadas as limitações económicas do nosso País, os investimentos nas auto-estradas e novo aeroporto, deveriam ser adiados de modo a permitir a aposta na ferrovia.

No modo ferroviário, o Governo vai cometer um grave erro estratégico, pois, pretende apostar no transporte de mercadorias, em bitola ibérica, o que vai impedir a livre circulação de contentores de e para a U.E. obrigando a transbordos que farão disparar o custo de transporte, por contentor, devido à diferença de bitola com a rede europeia.
Convém lembrar que a nova linha Lisboa-Porto, em bitola europeia, é exclusiva para passageiros e os portos só se ligam à actual rede de bitola ibérica.

Estas propostas podem ser confirmadas nos projectos da RAVE, empresa que estuda a nova rede ferroviária. Tais decisões vão ter graves consequências económicas, que poderão ser visualizadas através de um facto que se verificou recentemente e que exemplificaremos a seguir.



CONSEQUÊNCIAS DA PERDA DE COMPETITIVIDADE


Quando as bombas de gasolina portuguesas passaram a cobrar preços muito mais caros que as espanholas, 25 a 35 cêntimos por litro, ocorreu o seguinte fenómeno num raio de 60 Km desde a fronteira: as bombas de gasolina portuguesas perderam grande parte dos clientes e a maioria teve que fechar e o pessoal foi despedido.

No lado espanhol, houve um grande aumento de clientes portugueses, incrementando as vendas de combustíveis. Uma empresa portuguesa, a Galp, até investiu e comprou bombas de gasolina em Espanha, donde resultaram prejuízos substanciais para Portugal, devido á perda de competitividade, com as seguintes consequências:

1. Perda de receitas fiscais para o Estado português, em milhões de euros.
2. Desemprego no território nacional, junto à fronteira.
3. Importação de combustíveis vindos de Espanha.
4. Investimento de empresas portuguesas, no país vizinho, para explorar o negócio dos combustíveis.

O que ocorreu com o negócio dos combustíveis, como já foi referido, verificou-se, sobretudo num raio de 60 Km da fronteira. Relativamente ao transporte de contentores de e para a U.E. a situação será ainda muito mais grave porque todo o território nacional vai ser afectado se, em Portugal, não existir nenhuma linha de bitola europeia que permita a livre circulação de contentores. Será o isolamento ferroviário
O nosso país ficará dependente do transbordo de contentores, que é uma operação que faz disparar os custos e onde se perde uma hora ou mais, por comboio.

A nossa economia ficará menos competitiva e os nossos portos também, porque serão preteridos relativamente aos portos espanhóis. Muitas empresas até poderão sair do País de modo a reduzirem os custos do transporte.

Rui Rodrigues

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terça-feira, 11 de agosto de 2009

O TGV e o transporte ferroviário de passageiros

«Afigura-se assim, de enorme e intransponível evidência, que Portugal não preenche, nem preencherá num futuro razoavelmente previsível, pelas várias razões expostas, entre as quais avultam a dimensão territorial e demográfica (para alem da económica), os dois, primeiros e inelutáveis, requisitos essenciais para encarar, no seu território, a introdução de tecnologias do tipo do TGV. Nestes termos, importaria que os cidadãos portugueses, de um modo geral, a opinião pública veiculada pela comunicação social, mas sobretudo aqueles que detêm ou venham a deter o poder de gerir o produto dos nossos impostos, tivessem a coragem de reconhecer que nos Países e nas suas economias não existem euromilhões, muito menos com jackpot, e que é tão absurdo pensar num TGV para Portugal, como um analfabeto português ( e ainda há muitos, desgraçadamente), mesmo com emprego compatível, pensar que vai adquirir um Ferrari ou um Rolls Royce já amanhã, para se deslocar diariamente para o seu local de trabalho.»

(negritos da nossa autoria)

Clube Via Norte, publicado no semanário Grande Porto em 7-08-2009

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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Falando Sobre Transportes. As Falácias Do MOPTC (4ª Parte - Conclusão)

Na Alemanha, com o objectivo de tornar mais rentável a exploração da AV, baixaram a velocidade máxima para 250 km/h. Ao arrepio do que pensa a Srª. Secretaria de Estado dos Transportes que só se dá por satisfeita com os 350 km/h na linha projectada para Lisboa/Madrid; ou com os "modestos" 300 km/h no trajecto Lisboa/Porto.

Henrique Oliveira e Sá

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terça-feira, 10 de junho de 2008

Linha Poceirão Caia - novos erros em projecto


Ao lançar o concurso do novo troço Poceirão-Caia, o Governo esqueceu-se de um dos objectivos mais importantes de todo o projecto - a conexão directa dos portos de Sines e Setúbal à rede de bitola europeia, o que permitiria a livre circulação de contentores para a U.E.

Rui Rodrigues

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